Peri-implantite: o problema que não dói até ser tarde
É a inflamação que compromete o osso ao redor do implante, e evolui em silêncio. Entenda os sinais precoces e por que a detecção é sempre clínica.

Peri-implantite é a inflamação que atinge os tecidos ao redor de um implante e chega a comprometer o osso que o sustenta. É a principal causa de perda de implantes que já estavam funcionando bem. E o que a torna perigosa não é a gravidade. É o silêncio.
Antes dela existe um estágio anterior e reversível, a mucosite peri-implantar, em que a inflamação ainda está restrita ao tecido mole. Nesse ponto o tratamento é simples e o quadro costuma regredir. O que separa os dois estágios é a presença de perda óssea, e quem enxerga isso é a radiografia comparada.
O mecanismo é parecido com o da doença periodontal em dentes naturais: placa bacteriana se acumula na interface entre prótese e gengiva, o tecido responde com inflamação e, se o processo continua, o osso ao redor é reabsorvido.
A diferença é que o tecido ao redor de um implante tem menos vascularização e uma organização de fibras distinta. Isso costuma tornar a progressão mais rápida do que em um dente natural na mesma situação.
É o motivo pelo qual a revisão marcada nesta unidade de Porto Alegre tem valor mesmo quando o paciente está se sentindo bem.
Os sinais precoces são discretos e quase sempre indolores. Sangramento ao escovar ou ao passar o fio na região. Gengiva mais avermelhada ou levemente inchada ao redor da coroa. Às vezes um leve mau hálito localizado.
Dor e mobilidade aparecem tarde, e quando o paciente finalmente sente que o implante está bambo a perda óssea já é significativa o bastante para mudar completamente o tipo de tratamento necessário. Por isso não dói nunca deve ser lido como está tudo bem.
Os fatores de risco são conhecidos e se repetem: tabagismo, histórico de doença periodontal, diabetes descompensado, higiene insuficiente na interface, ausência de manutenções periódicas. Excesso de carga por bruxismo entra por outra via.
A maior parte deles é modificável ou administrável. O que muda o desfecho é saber quais se aplicam a você e ajustar a frequência de acompanhamento de acordo.
Existe tratamento, e ele varia conforme o estágio. Descontaminação da superfície, ajuste de higiene e de fatores de risco nos quadros iniciais; abordagens mais complexas quando já há perda óssea estabelecida. O prognóstico é claramente melhor quanto mais cedo o quadro é identificado.
É por isso que a consulta de manutenção é a peça central: ela existe exatamente para encontrar o que não dá sintoma.
Nada disto dispensa a consulta. Qualquer sinal na região do implante deve ser avaliado presencialmente.
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